ARTIGO: O avanço tecnológico para o mundo econômico

Não é novidade afirmar que vivemos um momento de muitas transformações, o trabalho atual está cada vez mais distante da forma mecânica adotada na Era Industrial. O desenvolvimento tecnológico está mudando rapidamente a realidade da sociedade e, hoje em dia, é praticamente impensável viver sem smartphone e tantas outras tecnologias da Era da Informação. No desenvolvimento econômico não seria diferente, a tecnologia trouxe a modernização nos utilitários de produção, comunicação, estudos, logística e interação, incentivando a competitividade global.


Um tema que tem sido pauta não apenas no mercado financeiro mundial, como entre chefes de Estado e governo, é a blockchain, uma tecnologia digital que garante a segurança das operações pela internet. O tema foi discutido no Fórum Econômico Mundial, realizado em janeiro em Davos. A cadeia de blocos, ou blockchain, é um grande banco de dados, público, remoto e inviolável, no qual podem ser registrados arquivos digitais de todo tipo. Assim como um “cartório virtual”, o sistema assegura a autenticidade das transações. A especulação, neste caso, é que o modelo ameaça o sistema tradicional composto por bancos, companhias de cartão de crédito, cartórios ou entidades governamentais, como os bancos centrais nacionais.


Foi a partir da blockchain que nasceu a bitcoin (e as demais criptomoedas), uma das grandes discussões no mercado nos dias de hoje. Criada há mais de nove anos, a bitcoin sofreu uma forte desvalorização em 2014, mas retomou sua popularidade. Depois da enorme valorização em 2017, com alta de 1.400%, a moeda virtual vem perdendo o valor, mas ainda deve se recuperar na gangorra financeira.


De acordo com o Fórum Econômico Mundial, o valor total de bitcoins na blockchain é de cerca de US$ 20 bilhões, ou seja, 0,02% do PIB mundial, que é aproximadamente US$ 80 trilhões. Na próxima década, entretanto, a estimativa é que bitcoins e outras moedas digitais armazenadas em blockchain corresponderão a 10% do PIB mundial. Como foi dito no início do artigo, falar de transformações e das novas tecnologias não é novidade. Aliás, só falar não é suficiente. Embora seja uma tarefa complicada acompanhar todas as metamorfoses do mercado, é necessário seguir as tendências para estarmos preparados para o futuro. Ou melhor, para estarmos preparados para o presente.


Carlos Chiodini, secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável.